4 de set. de 2009

Vamos à luta companheira!

Quanto tempo não passo por aqui. Estava num "retiro" para refletir sobre este post que tenho em mente há uns dois meses (desculpa boa para não dizer que fiquei sem tempo e, quando tinha,esquecia de vir por aqui).

Bom, queria partilhar o que tenho pensado em relação às mulheres com perfil semelhante ao meu. Somos da geração da independência feminina, nos formamos, temos nosso dinheiro, somos decididas, porém, continuamos submissas aos nossos medos.

Tenho, frequentemente, ouvido histórias de mulheres interessantes( divertidas, inteligentes, independentes financeiramente e tudo mais que faz uma mulher interessante) que estão se submetendo,em seus relacionamentos amorosos, a situações que as magoam, porque tem medo de ficarem sozinhas. Afinal,passados os vinte anos, com tão pouco homem "no mercado" , fica-se com aquele que não a satisfaz,que não a merece, que "está fora da validade",mas se fica, porque terminar para recomeçar as "buscas" é tão perigoso quanto se permitir tanta diminuição da auto-estima.

Passei a ter um lema na minha vida, ou melhor, dois: " se sofro com ele, por causa dele, e sofro sem ele,porque estou só, prefiro o segundo" e " não me contentarei com menos do que mereço". Mulheres, não podemos ser amantes dos nossos próprios namorados, que só ficam conosco quando sobra um tempinho da agenda deles lotada de prioridades que não somos nós. Não podemos permitir que, com isso, nos sintamos menores do que somos e,por isso, achemos que merecemos menos do que mereçamos.

Não existem homens perfeitos, como também não existem mulheres perfeitas. Nós não encontraremos príncipes, mas devemos buscar quem nos faça bem, até para que o façamos bem também. E quem não sequestre nossa identidade, nos fazendo comprar a ideia que tem de nós e não aquilo que somos.

A vida é isso companheira,vai à luta! "Saber amar é deixar alguém te amar..."

29 de jun. de 2009

The End

Ao contrário do que o título deste post pode sugerir, eu não pretendo falar sobre o falecimento do Rei do Pop Michael Jackson, apesar do fato ser realmente a última grande notícia do momento (e que, no que depender dos jornais e revistas especializados em fofocas ou não... a melodia ainda há de durar outros 50 anos).
Estou aqui para falar do fim da Copa das Confederações.

Como todos já devem saber, o Brasil sagrou-se mais uma vez campeão da Copa, que não proporcionou muitas emoções nem jogos dignos de aplausos, mas boas partidas e lances que vão ser lembrados... até a próxima semana.

Um dos jogos mais interessantes certamente foi entre Espanha e África do Sul. Dava gosto de ver os sul-africanos jogando com amor e com garra. Pena a Espanha ter se saído melhor... Enfim, o futebol foi bonito mas não ganhou o terceiro lugar.

Das cornetas, ninguém sentirá falta.

Mas de uma coisa... ah, disto todos não poderão mais esquecer. As entrevistas, em inglês, do nosso brasileiríssimo “Jo-hel” Santana. A primeira vez que eu vi e ouvi, mal pude acreditar... Nas outras vezes, a minha única reação foi chorar de tanto rir.

“Jo-hel” mostrou toda a sua desenvoltura ao conceder as diversas entrevistas para a imprensa internacional que cobria o evento. As partes mais engraçadas ficavam, além do estilo inigualável da pronúncia, na suave mistura de português com inglês, quase imperceptível não?

Depois de apreciar toda a verborragia,
in english, pude me dar conta de uma coisa: valeu a pena ter gastado anos no cursinho, mas é fato que eu preciso praticar. Quem sabe, assim que puder, não começo um curso de conversação com o teacher “Jo-hel”...

12 de jun. de 2009

Garapa ou cola, dá no mesmo


















Gosto do cinema brasileiro, não nego, não escondo e vou assistir. Em função disso, fui ver Garapa, claro! Lamentavelmente saiu de cartaz, mas José Padilha, neste filme, manteve a sensibilidade com que olha para as realidades veladas do nosso Brasil. Realidades que gritam, mas que o poder público finge não ouvir.

Já esperava sair reflexiva da sala de cinema. Já sabia que teria assunto para partilhar com vocês, aqui no blog. Apesar de gostar de cinema, não entendo muito, porém, acho que posso falar de uma estética interessante que José Padilha usou colocando o filme em preto e branco e buscando não interferir na realidade que queria mostrar. Contudo, achei que o filme em preto e branco não mostrou alguns detalhes que seriam importantes. Por exemplo, havia muitas moscas em uma criança e, quando a câmera chegou bem perto, parecia que a perninha do bebê estava com feridas, por isso, tantas moscas. Outro detalhe que não aparece é a cor da Garapa, certamente mostraria o quão rala é a única opção que aquelas crianças tem para se alimentar.

No entanto,outros detalhes também importantes estão martelando na minha cabeça. Não paro de ouvir a voz de uma das crianças falando: "mãe, me dá a garapinha". Gente, ele pedia como se fosse o achocolatado que, os que podem tomar, tomam. E como se fosse a refeição dos intervalos e não a refeição ÚNICA e principal deles.

Saí do cinema, numa sala em Botafogo (aliás, o único lugar em esses tipos de filme são exibidos), olhei para o Rio de Janeiro e me lembrei das crianças que temos aqui. Lembrei-me das que ficam embaixo dos viadutos, as que andam por aí nas nossas ruas, as que tomam um outro tipo de garapa, aquela que vicia, que deixa doidão, mas faz matar a fome, passar o frio e esquecer que são o incomodo dos nossos olhos, diante da beleza de nossa cidade: a cola.

Saio do cinema e me pergunto: qual é a diferença? Qual é a diferença entre as crianças do nordeste e as crianças que aqui vejo? Miséria é miséria, fome é fome, aqui, no nordeste, na África!

E a tristeza que me toma é a mesma. E graças a Deus que ainda me toma a tristeza, pois, o dia que eu nada sentir é porque também me corrompi e coloquei esse problema à margem das minhas possibilidades de fazer algo e na indiferença para os meus sentimentos.

18 de mai. de 2009

Tá sem emprego?? Eu também.

Continuando a discussão do post anterior, quando me formei e também levei um "pé-na-bunda" do estágio, me falavam: "Não se preocupe, depois de formado é normal se levar até um ano para se conseguir um emprego."

Tudo bem, esse prazo já expirou e vivo atualmente meses de agonia. Durante um surto nas últimas semanas, questionei o porquê da dificuldade de se conseguir um emprego. A sociedade investe em milhares de estudantes durante quatro anos (a média da maioria dos cursos universitários públicos) para formar um profissional e não usufruir desse investimento? Na realidade, é isso que acontece, todos investimos e esses novos profissionais não conseguem dar retorno à sociedade.

Tenho várias teorias que poderiam responder à essa questão. Vamos a algumas delas:

1) Não interessa o investimento em educação. Sim, para os governantes parece que a educação nunca interessa e nunca está definida como prioridade. É fácil perceber isso quando ouvimos e lemos a todo instante nos jornais que faltam professores nas escolas públicas, os salários são baixos, as instalações das escolas são precárias etc. Outro fator é as autoridades não terão retorno naquele mandato. É impossível, cronologicamente falando, que investimento na educação básica seja perceptível no mandato desse ou daquele político, mesmo com reeleição. Assim, é mais difícil para as pessoas que não têm condições de pagar um colégio particular ingressarem em universidades públicas, garantindo grande parte das vagas ao filhos da elite econômica, que, por terem dinheiro e muito QI, não terão dificuldade na hora de arranjar um emprego. Ou talvez nem se importem, já que têm mesadas e não precisam se sustentar;

2) As pessoas não se aposentam mais no meio jornalístico (e em alguns outros também, afinal, quem sobrevive com apenas a aposentadoria do INSS?). Então, é bem provável que novas vagas só surjam com o decorrer das mortes dos coleguinhas.

3) Faltam vagas e os cortes nas redações só tendem a aumentar, apesar do trabalho dos jornalistas ter multiplicado: impresso, internet, notícias por SMS, rádio, vídeo. Temos de ser capazes de nos virar e saber fazer de tudo um pouco – e bem. Então, se um empresário pode pagar apenas um funcionário para fazer isso tudo, por que contratar mais gente. Sem falar que atualmente há uma tendência a contratos temporários, ou seja, os empregadores "se livram" de diversos impostos e obrigações.

4) No caso do jornalismo, muitas vezes o povo tem feito o papel de pauteiro, repórter, fotógrafo e redator, o conhecido "eu-repórter", conexão leitor, leitor repórter ou qualquer outro nome que tenha o cidadão que escreve ou alimenta os jornais impressos, on-line, de rádio etc. Mais uma vez fica a pergunta: por que contratar novos jornalistas se é possível usar essa fonte de notícias?

Isso tudo somado à crise econômica, à informatização, à aparente falta de comprometimento com a população significa que não, não é tão fácil assim conseguir um emprego depois de formado. E eu que achava o vestibular concorrido...

15 de mai. de 2009

Uma esmola pelo amor de Deus. Meu! Por caridade

Imagina você, na sua trajetória de vida, seja ela grande ou pequena, dependendo da sua idade, ter se dedicado, sonhado, lutado até que chegou na universidade. Vale destacar: sem ajuda alguma do governo. O mérito é seu, todo seu, apesar dos altos impostos pagos que não são revertidos para o benefício do povo.

Imagina, agora, que você cursou a faculdade numa das universidades com maior prestígio no país. Mas, vale destacar novamente: sem ajuda do governo. Lá, você correu atrás do material necessário e que não tinha na faculdade; assistiu aula em locais terrivelmente abandonados e sujos; usou o banheiro mais nojento que o de um botECO (eu e meus trocadilhos infames, desde o tempo da ECO); teve aulas com professores que mais pareciam personagens do filme Sexto Sentido; no entanto, conseguiu aprender alguma coisa com professores que, de fato, entendiam o valor do ensino e se dedicaram a ele. E, durante a sua jornada acadêmica, fez um estágio que, sem pena nenhuma, quando você se formou, te disse: "faz parte da vida. Boa sorte!".

Imaginou? Se imaginou também " a ver navios", cantando " eta vida de cão"?
É, a massa dos desempregados do Brasil se encontra, hoje, composta por aqueles que, desde criança, ouviam falar que eram o futuro do país. E, na faculdade, a elite pensante. E eis que a pessoa que vos fala engrossa essa massa há quase dois anos, sem ter imaginado que, saindo daquele lindo campus da Praia Vermelha, estaria próximo de entrar na portinha do lado: a do Pinel!

Sem querer pensar em uma teoria da conspiração de que tudo dá errado, principalmente para aqueles que vem de baixo, está difícil não achar que, em determinadas profissões, há uma ferrenha manutenção do status quo. Para empresas privadas, o QI; para os concursos, os cursos caros. Para quem não tem um nem outro, um blog para desabafar com um sentimento de quem pede uma esmola pra este país que não gera empregos, que não investe em educação e que deixa, aqueles que conseguiram terminar um ensino superior, na rua da amargura (lembrei da minha mãe agora com essa frase! Coitadinha, ela ainda acredita que as coisas irão mudar...).

21 de abr. de 2009

Saga da Previdência

Nos últimos 2 meses eu tenho estado afastada do meu trabalho por conta de uma fratura muito indesejada, o que me fez ter de procurar um simpático posto de atendimento da Previdência Social.

O que eu não esperava era que isto virasse uma saga, quase Senhor dos Anéis.
A primeira coisa que te falam é que, pra marcar a sua primeira perícia médica você deve ligar para o serviço de atendimento 135 no 16° dia de afastamento (os 15 primeiros são de responsabilidade da sua empresa). Ao ligar, tive o desprazer de falar com um atendente que mal sabia onde a minha belíssima cidade ficava, já que ele não conseguiu achar esta opção. Acabei optando por uma opção mais "em conta". Claro, como tudo anda muito rápido no serviço público, só fui agendada para um mês depois.

Depois de tanta espera, eis que vou à perícia que acabou não acontecendo por motivos obscuros: "Vou remarcar você porque a médica não pode atender" e ponto final... Claro, eis que a minha revolta surge e desaba no sentimento extremo de inutilidade. Remarcaram-me para um mês depois, fazendo as contas, dois meses depois do meu acidente.

Enfim, na sexta-feira dia 17/04 eu consegui! Fui atendida numa perícia que não durou nem 10 minutos. Mas o que fica pra mim é a sensação de pequenez perante algo que você ajuda a pagar mas não pode contar quando mais precisa.

É, isto é o Brasil e este é um dos seus serviços...

7 de abr. de 2009

Crise? Que crise...

Venho por meio deste post, cumprir a difícil tarefa de falar sobre a minha profissão. Primeiramente, parabéns aos meus caros colegas de ofício, que trilham o caminho do jornalismo; parabéns aos meu caros colegas que, apesar de formados, com registro no Ministério do Trabalho, não conseguiram efetivamente exercer essa profissão (vou precisar dar uma parada agora, estou indo as lágrimas...).

A verdade é o seguinte: nós jornalistas estamos assistindo uma dilaceração do nosso ofício. Hoje, gostosonas ocuparam o nosso lugar , apresentam programas, fazem matérias e, com a discussão da não necessidade de diploma de jornalismo, poderão até se intitular "jornalistas". Tudo bem, não há impedimento nenhum em ser gostosa e ser jornalista também, mas, mesmo que a prática seja importante, aprendemos coisas na faculdade que fazem o diferencial na maneira como conduziremos as entrevistas e preparamos as matérias. Vide o papo de cumadre que rola em tantas entrevistas importantes (até hoje não descem as entrevistas que a antiga moça do tempo realiza na "sua" revista semanal).

Isso é um ponto. O outro ponto a ser lembrado é que as redações estão cada vez menores e os poucos que conseguem salvar o emprego estão sendo cada vez mais explorados. Como, na era da informação, somos tratados com tamanho desrespeito? (volto as lágrimas...estou apelando como nos programas "jornalísticos" do horário da tarde, escracha!!!)

Justamente por haver tantas novas formas de informação, novos canais, a lógica seria a contratação de mais pessoas. Mas não, o capitalismo rege os conglomerados jornalísticos (jornal impresso,
on-line, tevê, rádio, blogs, twitter, notícias via celular) que levam em consideração o lucro da empresa. A informação, como é transmitida, apurada, redigida, é só um detalhe.

Atualmente, nos sites de jornais, há uma seção especial para os leitores-repórteres. Sim, se a redação não dá conta, vamos deixar os leitores participarem (ajudarem, bem da verdade, a fazer a notícia). A partir daí podem até surgir novas reportagens, dependendo do assunto, mas, se não "render caldo", o site foi alimentado, novas informações foram publicadas, novos acessos foram gerados e,
voilá, lucro garantido!

Enquanto isso nossos governantes garantem que o Brasil tem um aumento considerável de empregos/mês e que o pior da crise no Brasil já passou. Crise? Que crise...


Juliana e Priscila