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21 de nov. de 2010

A crise que não passou



Ufa, não sou só eu que me sinto assim. Não sei na verdade se isso é bom ou ruim, mas dá um certo alívio. E me fez refletir sobre o porquê de estarmos nos sentindo desta forma. Será o sentimento de uma geração? Será que é mera coincidência?

Somos todos jovens adultos, próximo aos 30, que não estamos satisfeitos. Temos boa formação, estudamos na área de humanas, supostamente temos o emocional mais desenvolvido, inter-relacionamos bem, alguns trabalham no que escolheram, outros não, mas, a pior semelhança é a insatisfação. Pensei que fosse só eu e mais um ou dois amigos, mas na última semana descobri que todos estamos em crise. Crise existencial.

É certo que de que todos têm problemas, alguns mais complicados, outros mais fáceis de solucionar, mas o fato é que a questão do existir paira sobre todos nós. O emprego não é o ideal, mas é o necessário para conseguir algum dinheiro e tentar melhorar. Submetemo-nos a ele. O salário é ridículo, mas as pessoas do trabalho parecem achar normal ganhar esta miséria que nos pagam. Raiva da acomodação. A vocação de uma vida profissional está sendo abalada por alunos desrespeitosos e pais alienados. Que adultos serão estes no futuro? Questionam se você luta pelo certo. Sim, queremos justiça. Você sabe que precisam do seu trabalho, mas o contrato é temporário e não renovável. Impotência. Estamos insatisfeitos, indignados e lutamos para reverter toda esta situação. Só que o tempo...

Ah, o tempo traz maturidade, traz a adaptação, a adequação, a paciência,  mas também cansa, destrói a esperança aos pouquinhos. Sabe o que é o tempo passar, você lutar, lutar muito para mudar, para que as coisas melhorarem e nada acontecer? Isso vai tirando a força, vai deprimindo.

Às vezes sinto-me em um barco sem remos ou vela, seguindo um fluxo que não sei onde vai dar. Não sou só eu que estou assim. Estamos todos em crise. Quem pode nos ajudar? Como mudar isso?

29 de abr. de 2010

Lá vai ela falar de transporte público


Há um ato extremamente interessante e que a sua falta ainda leva pessoas, até povos, à guerra. É o "ouvir". Como gosto de ouvir as pessoas e como percebo que elas se sentem importantes ao serem ouvidas. Diante de pessoas, sinto-me tomada por meu senso de jornalista e por uma pontinha de psicológa. Às vezes faço perguntas, simples, e elas se lançam; outras, apenas olho, sorrio, e talvez se sintam confortáveis para falar.


Poderia escrever um livro com tantas histórias de pessoas que, na rua, conversam comigo. Vejo nelas fontes de informação, de compreensão e formação da minha opinião sobre como minha indignação é real e concreta nas suas vidas.


Bom, fiz uma introdução nada parecida como as que ensino para os meus alunos, para falar sobre injustiça e sobre a minha pequenez quando ouço o que algumas pessoas passam.

Quem aqui está totalmente satisfeito com sua vida que lance a primeira pedra ou comente nesse blog, porque "pelamordedeus", não encontro. Esta semana, cansada do engarrafamento diário, do meu estresse de cada dia, amém, parada na roleta pra aguentar o cansaço, perguntei ao trocador se eles fariam a greve cujo boato estava rolando por aí (até porque precisava saber qual seria minha possível aventura para chegar no trabalho, caso houvesse a greve). "Quem faz greve é patrão", disse ele, aumentando o tom de voz e passando ao motorista as informações do trânsito que ouviu no rádio."Tem que ouvir isso, é meio de comunicação", ele me disse, me aconselhando. Mostrei-me muito interessada no que dizia e pronto, foi o suficiente.


Começamos a falar sobre as suas condições de trabalho; como motorista sofre no verão do Rio e ainda mais com o motor ao seu lado; como essa vida é cansativa. Aí veio minha indignação: vocês sabiam que eles devem fazer 6 viagens, não importa o engarrafamento que peguem, o tempo que levem para completar? O trocador me disse assim: "Filha, pegamos cinco e pouca da manhã e, às vezes largamos quase dez da noite". Apresentei pra ele minha idignação, pelo menos para sentir meu apoio, minha revolta e mostrá-lo que alguém na sociedade não concorda.

Falei do preço da passagem, o quanto ela aumenta e perguntei se seus salários aumentavam." Nem dez centavos", respondeu ele. O que é isso? Os ônibus são horríveis, o ar só funciona no inverno e, no verão, é uma sauna que custa três reais (R$2,90). O meu parece do interior, se eu perco o das 18h , só passa outro quase 19h. E, às vezes, precisamos abrir guarda-chuva dentro do ônibus, ou por causa do ar ou por causa da chuva. Além de motoristas tão estressados - agora sei o motivo- que parecem levar caixas dentro do ônibus, acelerando e freando. E o aumento da passagem não é repassado para os rodoviários e nem para melhoria dos ônibus? Vai pra quem então?


Acho melhor eu parar por aqui, porque andei relendo meus posts no blog e estou quase me candidatando à Marina Silva ou Heloísa Helena do transporte público do Rio de Janeiro. No mais é isso, vamos ver no que vai dar, ouvi falar que vai ter licitação para as empresas de ônibus, tomara que ganhe aquela que tenha um veículo voador, capaz de ultrapassar a Av. Brasil e chegar no centro da cidade em 40 min, pelo menos!