7 de dez. de 2012

Amor e idiotas, nada mais natural

Tem tempo que não passo por aqui. Tem muito tempo mesmo! É a concretude do paradoxo na vida de um ser que faz Letras: ele quase nunca consegue escrever.

Bem,comecemos então. Estava pensando no amor. Na verdade, depois de uma reunião de escola, na qual foi falado sobre o assunto dentro de uma aula de filosofia e sobre como os alunos gostam da aula, fiquei pensando porque nós gostamos desse assunto. Com isso, fiz uma pesquisa breve no Google sobre a visão de Schopenhauer (gosto de escrever essa nome,porque é alemão e lembro as pessoas o pronunciando erroneamente, como se isso mudasse a vida); depois, lembrei a primeira carta de Bento XVI, falando sobre o amor Eros e como Nietzsche ( o "t" com "z" é um desafio para pronúncia) interpretou equivocadamente a visão da Igreja sobre esse amor. Enfim, no fim, desisti de ler tudo isso para escrever um simples texto no blog.

É sempre um desafio falar sobre um sentimento tão falado,mas, na maioria das vezes, falado de forma piegas. E acho que nem eu conseguirei fugir disso. Ou não (como diria Caetano). Os mais íntimos conhecem a minha fama: nunca fui expert no assunto. A verdade é que, várias vezes, ajo como quase todos nós já agimos ao acreditar no amor. Ame alguém e acredite ser amado; quando um lado age de modo contrário ao amor, como você age? Quantas vezes choramos, nos questionando "por que fui tão idiota? Como pude acreditar em X?".

A partir disso, fiquei pensando nesses pensamentos que temos a cada relação frustrada. Não fomos idiotas, fomos pessoas. Todos nós temos um desejo de amar e ser amado que nos faz acreditar no outro que diz nos amar. Nada mais natural do ser humano, nada mais tão dentro da linha do que isso. É certo que numa relação, dificilmente, as pessoas amam da mesma forma. Haverá sempre alguém que ama mais, ou melhor, que consiga equilibrar o amor eros e ágape, entendendo mais um pouco as "medidas" do amor, o momento de deixar livre, o momento de estar junto, e até o gesto nobre de deixar o outro ir, se isso for melhor pra ele.

Não há nada de filosófico no que eu escrevi,mas vejo, ouço e vivo muitas vezes histórias que seguem o mesmo "roteiro". O pior, ou melhor, é que sempre acabamos do mesmo jeito: não quero mais amar; não vou mais amar outra pessoa; coração blindado para sempre. Afinal, o amor é só um meio para procriarmos, mesmo que nos iludamos e não achemos que seja apenas para isso. E isso poderia me deixar mais tranquila, mas não. Meu relógio biológico está passando da hora; se um dia eu não puder mais procriar, aí que estou ferrada e desistirei de vez desta coisa chamada amor que nos move desde a percepção da nossa existência.

8 de jul. de 2012

O luto na casa da fé

Já escrevi alguns sentimentos, mas fiquei esperando um tempo para refletir o que é o luto. Hoje, depois de um mês, e um dia antes de passar meu primeiro aniversário sem meu pai, procurei o significado da palavra luto. Nenhum foi tão satisfatório quanto o que me vem agora: luto é o mesmo que saudade. E até consigo falar mais facilmente a palavra luto,porém, a palavra saudade engasga na minha garganta  e mal consigo pronunciá-la.

E entendo o porquê. Essa saudade é diferente de qualquer outra saudade que já senti. Não é saudade de alguém que viaja,porque a pessoa pode voltar; nem de namorado que você não tenha mais,porque uma hora você se convence de que não tem que sentir mais nada e bota pra jogo o amor próprio; não é saudade de um tempo passado.E a saudade de alguém que você perdeu e que não vai voltar; que o amor próprio não vai dar jeito e nem o tempo trará a pessoa de volta. É a saudade mais vazia que existe,porque é de alguém que se foi para sempre.Mas é a saudade mais cheia de amor, de lembranças e de saudade. É a saudade que ora dá vontade de falar da pessoa para ver se diminui, ora dá vontade de nem ouvir seu nome.

Repetimos inúmeras vezes: ele descansou, foi melhor. Sabemos disso todos nós aqui em casa e, talvez, essa seja a desculpa mais esfarrapada para escondermos as nossas dores e as nossas lágrimas. A corajosa mesmo é minha mãe, ela chora, diz que sente falta dele, pega a sua foto e olha por vários minutos. A covarde sou eu, nem sua foto tenho coragem de olhar mais;mas, não há um só dia que eu não sinta a sua falta e que isso não transpareça no meu olhar, velado pelos óculos.

Convivemos com a sua morte por onze anos. E vínhamos nos conformando com a chegada dela. Aquele início de quarta-feira, quando ela realmente veio, pensei: acabou. Queríamos todos que seu sofrimento acabasse, mas queríamos todos,no fundo, um milagre.Meu pai, ali deitado. Horas antes eu lhe disse por telefone que o amávamos. Que o amamos! Perguntei à médica onde estava a minha mãe e ficamos resignados. A médica disse: fizemos de tudo. Só que o tudo naquele momento já não bastava,porque sua missão tinha acabado.

Consolar minha mãe, resolver a papelada, pegar o óbito, resolver o enterro,ligar para os amigos. A burocracia que nos impede o luto. Entretanto, o luto- que já fomos vivendo nos 40 dias de internação - só foi suportável porque foi o luto que hoje eu chamo de "o luto na casa da fé".  Essa fé que nos faz acreditar que foi o melhor, que nos faz levantar e trabalhar dias depois da perda. A fé que nos faz sorrir quando o coração está um caco. Essa casa acolhedora que nos dá coragem.

A saudade paralisa; a perda pode trazer culpas; a vida pode perder o sentido. Mas não para quem vive o luto na casa da fé. Não ouvi de Deus, em meus momentos de oração, que meu pai ficaria curado. Ouvi Dele que era momento de preparar meu coração e de já ir abrindo a porta da "casa da fé" para entrar no cômodo do luto. Esse cômodo que passamos em alguns momentos ao longo do dia, porém, o dono da casa nos mostra que não é para fazermos desse cômodo nossa morada.

Depois de um tempo, esse quarto será menos visitado, só que é certo que a vida toda, minha família e eu, voltaremos a entrar nele de vez em quando, deitaremos em sua cama e choraremos a saudade. Por enquanto, tenho entrado lá todos os dias, mas, na casa da fé, o luto vira sinal de esperança, e o dono da casa consola o coração, a fim de nos preparar para o dia em que todos nós estaremos sentados à mesa, na casa da fé, junto com meu pai.

13 de nov. de 2011

Eu com João Ubaldo Ribeiro em Berlim



Se os escritores bons (sim, um julgamento meu e meu direito a ter gostos meus) exercem um poder sobre mim, os livros que eles escrevem mais ainda. Não sei você, mas quando leio um livro, minha vida gira em torno dele. "Que horas vou conseguir pegá-lo de novo para continuar?Ah, pronto, um cantinho no metrô, vou parar aqui e continuar". E a relação fica tão intensa que, ao perceber que as páginas estão acabando, ao mesmo tempo que quero lê-las, não quero,porque sei que ficarei no vazio, com as realidades do dia a dia e sozinha, sem ele, o livro. Claro que até encontrar outra história, sou volúvel nesse sentido.



Terça passada decidi ir para Alemanha, mais especificamente para Berlim, com João Ubaldo Ribeiro. Fui na livraria e comprei a minha passagem ,pena que não carimbei ainda meu passaporte,não precisei, entrei livremente no mundo alemão, sem me preocupar com que preposição e se teria de usar Dativo ou Acusativo.



Não sei o que fez eu me encantar por este mundo das letras, mas é certo que sem ele o lugar mais longe que eu teria ido seria São Paulo;uma vez de avião,porque uma seleção de emprego bancou tudo e outra de ônibus, num passeio cultural do curso que dou aula ( e de redação,porque se fosse de outra disciplina não seria escolhida tão facilmente. As letras me dão muitas coisas, menos dinheiro,mas me dão muitas coisas).



Na Alemanha, João foi um ótimo guia, me fez rir desde o início com o Tartamudo do Kurfürstdamm e suas dúvidas com as declinações e colocações verbais.Depois, vieram o humor simples e inteligente e as ironias sobre a nossa cultura e a dos alemães. As diferenças entre nossas visões sobre o dinheiro, as impressões sobre a sexualidade de ambos os povos,a organização e, o que mais me impressionou, a capacidade do autor de enxergar as diferenças junto com sua sensibilidade para se relacionar com o povo e com o lugar onde morou por 15 meses. O autor de Viva o povo brasileiro quer voltar para sua terra, porém, quer manter vínculos com o local que o acolheu e que ele acolheu também como lar neste intercâmbio.



E, com gentileza, ele me levou a Aracaju ;tive inveja da sua infância. O vício pela leitura de autores clássicos da alta cultura até clássicos de jornaleiros deve ter sido a fórmula que deu nisto: o jornalista escritor ou escritor jornalista.



Mas, o que importa é que sentirei sua falta e de Berlim também.Acreditei até que é possível aprender alemão com minha incapacidade para línguas estrangeiras e viver de escrever. Acredito,porque posso acreditar no que eu quiser quando leio e, por isso, leio.Obrigada e falarei e pensarei em você, Um Brasileiro em Berlim, até meu próximo romance com outro livro.

2 de ago. de 2011

Especial para R.D.S.

A
R.D.S.

Todo começo tem um fim
Todo esforço gera uma recompensa
Dedicação, suor e lágrimas
fazem parte da vida
de quem luta para viver,
luta para sobreviver.

Para alguns é tão fácil
Do berço trazem muitas possibilidades
Outros – a maioria – contam apenas consigo próprios
para modificar suas vidas.

Alguns não enxergam que, as pedras no caminho, são apenas sombras
Para outras, mais pesadas, talvez seja necessário ajuda
Mas não é impossível transpor todas,
atravessar o caminho.

Os resultados são reflexos de ações passadas.
Dizem que toda ação gera uma reação.
Pois bem...

Pense nas suas ações de hoje.
Pense mais ainda nas não ações,
Na inércia que impede mudanças.

Aja. Dedique-se. Sue. Chore.
A recompensa virá.
Ninguém nunca disse que seria fácil.
Porém, não é impossível.

Ao adormecer – 1º ago 2011

29 de mai. de 2011

O que motiva as tuas escolhas?



A intenção do blog não é transformá-lo na nossa autobiografia.Mas,peço licença as minhas colegas, para falar de mim e,assim, chegar ao ponto que desejo.

Estou vivendo um novo,diante das escolhas que precisei fazer em relação a minha profissão.Retorno aos bancos universitários, virei caloura de novo e confesso:o ambiente acadêmico me seduz. A diversidade da Universidade Estadual também.Quantas cores,quantas classes,quase um sonho da democratização do ensino superior,mesmo sabendo que tanta diversidade se restringe a alguns cursos,os não considerados de elite.

Para alguns, depois de três anos formada em Jornalismo pela UFRJ, ir para Letras é uma surpresa."Mas, e tua profissão? Você quer dar aulas? ", perguntas como essas não faltaram, junto com a cara de horror por descer na escala do status social. Afinal, que você seja médico, advogado, engenheiro, jornalista, porém, professor? Ah, isso não!

Contudo, há algo além de status que move as minhas escolhas.É aquilo que dá brilho nos olhos,a sensação de estar sendo útil,o coração acalentado e lágrimas quando o camarada chega para mim e fala: "professora,passei no vestibular!".E esse camarada a que me refiro,muitas vezes, lutou contra todas as adversidades de uma casa pequena,de uma renda mínima, de faltas de sonhos e de uma família que lhe dizia: "estudar para quê?Pobre tem é que trabalhar!"

Aí, dando um giro de 180°,vejo-me na UPA, que de pronto atendimento tem nada, sendo atendida por uma moça que mal me olha e nem me examina. "Doutora,estou com febre alta há dias e sinto dores nas costas,na costela e na cabeça".Um exame de sangue e dipirona para passar tudo isso.

Saí de lá me perguntando o porquê dessa moça ter escolhido ser médica. E não venha a classe me dizer que é o excesso de trabalho,porque isso eu também tenho e ainda os trago para casa. Eu ganho menos,por mês, do que aquela moça ganha por um plantão na UPA.Eu dou aula,eu ouço desabafos dos alunos, eu rio com eles e me emociono com suas conquistas,eu os motivo e as pessoas se espantam com a escolha que hoje faço.E eu me pergunto: o que fez aquela moça escolher ser médica?

Porque o que me faz querer dar aulas e, na mais pura utopia dos meus vinte e poucos anos, plantar sonhos, é acreditar na vida.E ela que é médica,será que se esqueceu do que é vida?Será que se perdeu no brilho de ser chamada de doutora e de ser vista como a inteligente porque estudou mais de sete anos?

Pobrezinha, entende o corpo humano,mas não o ser humano.Ao mesmo tempo que é a elite da sociedade,parece fazer questão de ser a escória da humanidade, se juntando a um monte deles que ainda entenderam nada da vida.

3 de abr. de 2011

Carnaval o ano inteiro?


Para muitos brasileiros esta resposta é afirmativa. Sim, o carnaval dura o ano inteiro. Mas não é aquele carnaval da folia, das escolas de sambas e dos blocos de rua. Uso a palavra carnaval em sentido de diversão, alegria. Ok, mas ainda não estou entendendo o motivo do post, podem se perguntar alguns. Explico-me, então.

Sou mais uma das cidadãs que diariamente usa o transporte público. No Rio de Janeiro existem muitas falhas na malha rodoviária, o trânsito começa a ficar insuportável como em São Paulo e, para não perder tempo, utilizo o metrô com certa frequência. Eu e mais 600 mil pessoas diariamente. No horário do rush, de manhã e à noite, somos obrigados a andar esmagados nos vagões do metrô, porque o serviço não acompanhou os números de crescimento da cidade. Feito sardinhas em lata, viajam todos os dias trabalhadores, estudantes, crianças, idosos, enfim, todos os tipos de uma sociedade. Só que, para alguns, essa viagem - mais especificamente na hora de entrar e de sair do vagão - é uma espécie de carnaval diário. Elas gritam, riem, empurram, riem um pouco mais, e acham normal empurrar outros seres humanos para entrar no trem, ou para sair dele antes das portas se fecharem.

Essa expressão "carnaval diário" foi dita por outra usuária do metrô, que estava no mesmo vagão que eu na última sexta feira, no rush noturno. Na chegada à estação Central do Brasil, as pessoas saiam se batendo e gargalhando. Comentei em voz alta como era impressionante as pessoas rirem de uma situação como essa, como se fosse tudo muito normal. A senhora justificou: "esse é o carnaval diário delas". Demos início a uma conversa até a estação terminal, na qual ela e eu concordamos que é preciso reclamar, que isso não é nada normal.

Nós precisamos sim reclamar dos maus serviços, porque pagamos caro por eles (no último sábado a tarifa do metrô do Rio tornou-se a mais cara do país, a R$3,10), pagamos impostos em todos os produtos e serviços que consumimos, taxas essas que deveriam ser revertidas em infraestrutura para que a viagem casa-trabalho trabalho-casa não fosse um transtorno para a maioria dos trabalhadores todos os dias.

Mas porque essas pessoas não reclamam? Porque lhes falta a consciência de que a reclamação é importante e que sim, pode fazer diferença. Todos nós temos o poder nas mãos, o poder de mudar, de sermos efetivamente cidadãos, basta termos consciência disso. Cidadania não é só votar. Viver não é só trabalhar, voltar para casa, assistir novela, BBB e dormir feliz ou contente porque seu time ganhou ou perdeu.

Para mim, carnaval é apenas uma vez ao ano (aquele, do outro post desse blog). Por isso continuo relcamando sim, converso com os outros sobre a possibilidade de transformação que depende de cada um de nós, tento melhorar não só para mim, mas para o coletivo. Vivemos em sociedade, não é mesmo? Então, que tal comerçarmos a unir nossas forças para fazer valer essa vida? Sem apertos nem empurrões, claro.

27 de mar. de 2011

Rock in Rio 2011: no Rio

Estou participando de alguns fóruns de discussão sobre o glorioso evento que voltou para sua cidade natal, o Rio de Janeiro. Muito se tem falado sobre as atrações, ingressos, sonhos do Medina e lá vai fumaça. Mas será que o Rio terá a mesma aura maravilhosa de suas outras edições? Shows marcantes, nem tanto... muitas das bandas já se apresentaram na terrinha e fizeram show inesquecíveis. Afinal, foi realmente inesquecível ter 1 show cancelado por causa da chuva e esperar mais de 3h no dia mesmo por conta dos caprichos do Axl... Agora, sobre as atrações... ah, as atrações... Apesar do título, a organização ainda teima em ter atrações estranhas completando um menu ainda mais esquisito. Porque não consigo imaginar que seja uma ótima combinação o Elton John com a Claudia Leitte. Nada contra, mas nesse dia ficarei em casa tomando um choppinho... Apesar dos pesares, vou rever o Guns, ver o RHCP e, principalmente, ver o Metallica, que soube por amigos que fizeram um show memorável em SP. Agora, pena que os ingressos estão absurdamente caros e, ao contrário das outras edições, estou sendo completamente contra show em plena sexta-feira. Se a organização vai valer a pena, isso é uma cena para os próximos capítulos, mas a esperança é que seja, de cara, melhor que o SWU. Estrutura tem, o dinheiro, isso já é outra história... O que nos resta é esperar que o Rock in Rio 2011 seja tão bom quanto a nossa expectativa. Ou melhor. Agora, vale a pena colocar no contrato do Guns um pedido singelo deles não se atrasarem mais que 1h...

4 de mar. de 2011

É carnaval!

Oficialmente, começa hoje o carnaval no Rio de Janeiro, segundo a prefeitura, o "maior carnaval do mundo". A cidade está em ritmo de festa, inúmeros turistas chegam em cruzeiros, em aviões e de ônibus. Pelo centro da cidade, peles brancas demais denunciam: turistas estrangeiros. Pelos sotaques carregados nos "és" e "ós" abertos, nos "ins", nos "l" reproduzidos no som de "l" e não no arquifonema "U", identificamos turistas das mais diferentes partes do país. E a cidade fica ainda mais colorida, apesar dos últimos dias nublados.

O carnaval de rua ganha força e haja fôlego e pernas para acompanhar os blocos que desfilarão - ou ficarão parados, mesmo, no estilo concentra, mas não sai. Os convênios com empresas públicas ajudam a efeitar a cidade, a disponibilizar mais banheiros públicos, a organizar os ambulantes, mas ainda falta muita educação e consciência por parte dos foliões. No pré-carnaval, diversas pessoas ficaram detidas por urinar na rua e muitos carros acabaram rebocados por desrespeitarem a sinalização. Foliões, vamos fazer um carnaval  de rua com muita alegria e sem dor de cabeça. Respeitem as leis e brinquem sem brigas. A cidade agradece.




3 de fev. de 2011

Vendo texto, quer comprar?


Estava aqui pensando no que fazer para ter algum dinheiro em março, já que é o mês da seca, nada de grana entra, mas as contas continuam (estou falando para ver se alguém tem pena).

Minha mãe até falou que eu devia me inscrever pro Big Brother. Agora você vê, o que eu faria lá? Sou menina e pretendo ficar assim, sem abrir exceções, mesmo em tempos de escassez ou desilusões amorosas; não bebo até cair; não dou selinhos por aí e nem sou do tipo que fica amiga para sempre com quem acabei de conhecer.

Enquanto escrevo, continuo pensando em uma solução.Ah, poderia vender textos, o que acham?

Posso fazer cerimoniais de 15 anos, casamento e até velório;posso também te fazer poesias e as vendo por um precinho camarada, quer? Faço perfis de orkut ou facebook; faço torpedos para encantar a pessoa amada; escrevo e falo telemensagens. E aí, vai querer?

Só não sei ir pro BBB, nem gosto de aparecer, muito menos em TV. Sinto arrepios ao lembrar das aulas de telejornalismo na faculdade, aquela câmera apontada para mim; como ficar, falar , parar, olhar e ainda decorar o texto? Eu só sei escrever moço, é isso que eu sei e gosto, desde criancinha!

Já sei, vou entregar aqueles bilhetinhos em ônibus, com textos de minha autoria e perguntar quem pode doar qualquer centavo, só para ajudar a pagar as contas e mudar o rumo da minha vida. Quem sabe se com dinheiro ganho eu consiga uma plástica, dou um tapa no visu e me inscrevo no BBB 2012 - isso se o mundo não acabar!

25 de jan. de 2011

Tudo vai ficar bem



Voltei e mais rápido do que das outras vezes!


Não quero parecer pessimista e, por isso, vim desfazer a imagem que pode ter ficado com meus outros posts.Espero que eu consiga...


Para variar, gosto de partilhar algumas coisas que me acontecem e me levam a refletir. Vou explicar desde o início.Quer dizer, não tão início porque é uma história que começou há dez anos!


Meu pai tem um câncer, chamado mieloma múltiplo, que ataca a medula óssea e luta contra ele esse tempo que mencionei acima. Dentre recaídas e reerguidas, sobra ele - um verdadeiro herói que nem está no BBB.


Diante de mais uma recaída, uma anemia severa e todas as complicações relacionadas ao caso, ficamos vinte horas no hospital, em Araruama, para ele receber duas bolsas de hemácias concentradas. Ontem, voltamos ao hospital que ele se trata -HUPE - e,depois de muita espera normal para hospital público e para sua doença também, ele ficou internado.


E o que há de otimista nisso? Tudo!


Há cinco dias sem poder deitar, em função da falta de ar, meu pai passou mais um dia sentado numa cadeira de hospital.Cada um que se aproximava e perguntava como ele estava (ele já é conhecido lá, afinal, são 10 anos de tratamento), ele explicava tudo que tinha acontecido.Para cada um que ligava, ele falava confiante de que tudo ia ficar bem.


Ali, vi um homem - num geral impaciente - ser realmente um paciente ; vi uma mulher - minha mãe - ser verdadeiramente esposa,companheira e amiga; vi uma filha que conseguiu superar o cansaço e um amor que eu mesma nem sabia que era capaz de cuidar e falar com médicos, como se ele fosse o meu filho.Vi amigos e parentes, verdadeiros irmãos, ligando a todo tempo oferecendo ajuda e vi médicos e enfermeiros que pouco vejo em outros lugares, atenciosos e preocupados. Vi pessoas consolando outras, acompanhando seus familiares e me falando que tudo ia ficar bem.Vi amor num ambiente tão adverso!


Sai do hospital com a certeza de que Deus estava no controle e que meu pai estava seguro ali; sai com uma vontade de falar e falei o quanto eu o amo, na certeza de que o amor é o remédio mais capaz de transformar todos os males.E acho que saio uma pessoa melhor a cada dificuldade que tenho enfrentado!


Vendo pessoas e conversando com amigos que também tem problemas, vejo que todos nós, sem exceção, passamos por dificuldades. Tenho aprendido a não menosprezar os problemas dos outros, porque sofrimento é sofrimento, não importa o grau; e tenho aprendido que a grande diferença é como lidamos com tudo que passamos e ainda temos que passar na vida. Só quem sofre sabe valorizar a dor do outro, ouvir e dar a mão quando necessário; saber lidar com seus problemas e sofrimentos é aprender a ser humano e humanizar tudo o que realiza ao longo do dia, desde um olhar até as tarefas mais burocráticas.


E só me resta dizer que tudo ficará bem e pra você também...

28 de dez. de 2010

O que é isto? Não foi o que eu pedi ao Papai Noel!


O quê? Tem quase um ano que não venho aqui? Bom, acho que isso é um reflexo da falta de novidade na minha vida também.

Outro dia meus alunos me perguntaram: você tem algum blog em que você escreva teus pensamentos? Foi aí que falei do Elenco Fixo e eles me criticaram por não fazer propaganda do blog. Mas, me sinto culpada por não escrever frequentemente e, talvez, não fale dele por isso.

Tenho um monte de assuntos sobre os quais gostaria de dissertar (esta foi para os meus queridos das aulas de redação), contudo, lembrei-me agora da minha sobrinha na noite de Natal e dos meus pensamentos para o novo ano.

O que você precisa para 2011? Gostaria que você desse sua participação e conversássemos a respeito. Começo eu a minha lista:
1) Eu preciso que 2011 seja totalmente diferente de 2010
2) Eu preciso que 2011 seja melhor que 2010
3) Eu preciso fazer,em 2011, o que prometi para 2010

Acho que minha lista de necessidades ficará um pouco grande, ainda mais se eu falar sobre o que gostaria de mudança diante das mazelas sociais.

Ok, e minha sobrinha nessa história toda? Então, na noite de Natal falamos assim para ela: "acho que Papai Noel foi lá no teu quarto, olha ele, está indo embora!".

A menina saiu correndo e, olhando para a cama, disse: "o que é isto? Não foi o que eu pedi para o Papai Noel!".

E é essa a sensação que tenho ao olhar para a sociedades e para as nossas vidas.Não foi isso o que pedimos e nem é o que queremos. Mas, qual é a nossa participação naquilo que passamos? O que fazemos em favor de nós mesmos e das pessoas que vivem ao nosso redor?

É uma pergunta que, muitas vezes, nem eu sei. Parace que tento tento e nada acontece ou, talvez, esteja tentando para o lado errado ou esteja acontecendo de outra forma que não é a que eu esperava. E, com isso, não reconheço as graças da vida durante este ano de 2010.

Termino aqui me lembrando de uma delas: conheci novas pessoas, tive novos alunos, aprofundei laços que começaram em 2009 e perdi muito.Mas, como diz uma música que gosto : só quem perde na vida sabe também ganhar.

Feliz 2011 e que aconteça tudo aquilo que você REALMENTE precisa!!!

23 de dez. de 2010

Vale a pena?

Conversar com amigos é sempre bom. Ouvimos e percebemos perspectivas diferentes sobre assuntos que vivemos e às vezes não enxergamos. Em um desses problemas da vida que contava para uma amiga, ela chegou a seguinte conclusão com uma pergunta: "vale a pena?". Isso mexeu muito comigo e agora avalio a situação com outros olhos.

Não vale a pena eu me dedicar a quem não se importa com esta dedicação. Não vale a pena insistir em uma amizade de mão única. Não vale a pena querer resolver um problema se apenas eu quero conversar. Não vale a pena julgar e não ouvir, manter um relacionamento com quem não sabe ouvir críticas, com quem não entende que às vezes é preciso relevar e não se ater a pequenos problemas, porque a vida é curta e deve ser intensa. Não vale a pena deixar que uma fofoca, uma conversa com ruído estrague meus bons momentos.

Se eu tentei, insisti e não obtive resposta, esta amizade vale a pena, não vai me fazer bem, eu preciso a deixar de lado. "Amigos são poucos" e ao longo da vida a gente vai percebendo que esta frase popular faz todo o sentido. Queria entrar 2011 com tudo resolvido entre ambas as partes, mas infelizmente não será possível. E agora, que sei que não vale a pena, só posso sentir pena de uma pessoa deve estar sofrendo, mas que fez muita gente sofrer por alguém que também não se importa com os outros.

Em meio a um turbilhao de sentimentos, que foram da raiva à indignação, da fúria à tentativa de entendimento, posso dizer que estou resignada.

Vida que segue, e valendo a pena.

21 de nov. de 2010

A crise que não passou



Ufa, não sou só eu que me sinto assim. Não sei na verdade se isso é bom ou ruim, mas dá um certo alívio. E me fez refletir sobre o porquê de estarmos nos sentindo desta forma. Será o sentimento de uma geração? Será que é mera coincidência?

Somos todos jovens adultos, próximo aos 30, que não estamos satisfeitos. Temos boa formação, estudamos na área de humanas, supostamente temos o emocional mais desenvolvido, inter-relacionamos bem, alguns trabalham no que escolheram, outros não, mas, a pior semelhança é a insatisfação. Pensei que fosse só eu e mais um ou dois amigos, mas na última semana descobri que todos estamos em crise. Crise existencial.

É certo que de que todos têm problemas, alguns mais complicados, outros mais fáceis de solucionar, mas o fato é que a questão do existir paira sobre todos nós. O emprego não é o ideal, mas é o necessário para conseguir algum dinheiro e tentar melhorar. Submetemo-nos a ele. O salário é ridículo, mas as pessoas do trabalho parecem achar normal ganhar esta miséria que nos pagam. Raiva da acomodação. A vocação de uma vida profissional está sendo abalada por alunos desrespeitosos e pais alienados. Que adultos serão estes no futuro? Questionam se você luta pelo certo. Sim, queremos justiça. Você sabe que precisam do seu trabalho, mas o contrato é temporário e não renovável. Impotência. Estamos insatisfeitos, indignados e lutamos para reverter toda esta situação. Só que o tempo...

Ah, o tempo traz maturidade, traz a adaptação, a adequação, a paciência,  mas também cansa, destrói a esperança aos pouquinhos. Sabe o que é o tempo passar, você lutar, lutar muito para mudar, para que as coisas melhorarem e nada acontecer? Isso vai tirando a força, vai deprimindo.

Às vezes sinto-me em um barco sem remos ou vela, seguindo um fluxo que não sei onde vai dar. Não sou só eu que estou assim. Estamos todos em crise. Quem pode nos ajudar? Como mudar isso?

5 de out. de 2010

Gente chata, sai pra lá!



Com a vida corrida, o rádio é uma ótima companhia. Dá para ouvir em qualquer lugar, dar uma escapada do mundo com os fones no ouvido e ainda se divertir. Uso-o para relaxar com as músicas, me distrair dentro de ônibus e ainda fico rindo sozinha escutando a Hora do Blush, programa diário da Sulamérica Paradiso.

A temática do programa de ontem me inspirou neste post. Em questão estava: gente chata. Todo mundo conhece alguém que seja chato. Todo mundo já foi chato com alguém um dia. Mas há pessoas que se superam. E muito. Lembrei imediatamente das pessoas que interrompem o diálogo, preocupadas com o próprio monólogo. Sabe, quando você está falando de um assunto e a outra pessoa logo interrompe falando de algo que geralmente não tem na-da a ver com o assunto inicial? Ou quando o chatonildo resolve puxar toda a atenção para ele e começa a discursar (desta vez dentro do tema), mas querendo se promover, dizendo "isso já aconteceu comigo, mas foi muito pior/melhor", "eu já vivi algo assim, mas foi (adjetivos e mais adjetivos)" e frases do gênero? Ô gente chata.

Outro tipo chato é aquele que fala com as mãos. Melhor dizendo, com os dedinhos, "cutucando" o interlocutor. Porque com este tipo de pessoa não basta a conversa ser olho no olho, tem de ser dedo no ombro, no braço, juntamente com o famoso "mas, hein??". Ahhh, in-su-por-tá-vel.

Há outros tipos que logo se enquadram no adjetivo chato: são aqueles que teimam em imitar (sem sucesso) um personagem de tevê ou um apresentador, ou fazer piada sem graça. Acho que todo mundo tem um tio assim, que imita o Silvio Santos ou faz aquele tipo de piada: "É pa-vê ou pa-comê?" (esta piadinha inclusive foi lembrada no programa de ontem). Todo mundo também tem aquela tia chata, que sempre pergunta a mesma coisa: "já está namorando?", "quer ser o que quando crescer?", ou então solta aquelas frases: "nossa, como cresceu!", "já está no ginásio, quem diria..."[eu sei que ginásio é antigo, mas é da minha época, :-)].

É, os chatos estão em toda parte. Eu poderia falar sobre vários outros tipos de chatos, mas aí corro o risco de ser a chata que reclama dos chatos. Porque reclamar da mesma coisa também é chato.

29 de set. de 2010

Eleições sem candidatos

Pois é, mais uma eleição se aproxima e desta vez, a disputa é complicada. Para os eleitores. Principalmente na decisão quanto aos cargos do legislativo. Entre os que concorrem ao Congresso Nacional, atores, jogadores de futebol, cantores, pseudocelebridades, palhaços. Assim é difícil escolher.


Li uma explicação de um historiador na CartaCapital  sobre a origem da palavra "candidato". Vem do latim candidatus e tem origem nas vestes brancas que os antigos usavam, simbolizando a pureza (fichas-limpa da época). Para as eleições de 2010, alguns "candidatos" torceram contra a validade da Lei do Ficha-limpa, por motivos mais do que óbvios.

Sempre achei que alguns cargos públicos (os de mandato) não deveriam ser retribuídos, com remunerações ou subsídios, mas sim serem uma opção de quem realmente quer ajudar a sociedade política e economicamente. Vejamos: um vereador pode ter um emprego, desde que seja compatível com os horários que o cargo na Câmara dos Vereadores exija a presença (votações, reuniões com comissões, entre outros). Mas, e um deputado federal? Trabalha durante três dias na semana (de terça a quinta, quando não há feriados) e ainda recebe uma polpuda remuneração pelo cargo. Se os mandatos não fossem remunerados, ou recebessem uma quantia simbólica em troca do serviço prestado à Nação, duvido haver esta quantidade absurda e esta "qualidade" absurda de candidatos.

Com estas opções, fica difícil exercer a democracia. Nunca antes na história deste país foi tão difícil votar!


  

   



31 de ago. de 2010

Ai meu Deus, o que é isso?


Venho aqui falar sobre um assunto muito importante; venho falar com você, mulher. Você que passou dos trinta e passou a achar que na vida há outras prioridades que não inclui você mesma.

Dia desses estava no ônibus, indo para Jacarepaguá - que é longe pra caramba - e reparei, é...como possso dizer isso? Reparei o suvaco de uma moça. Pronto, falei! E o que tinha de extraordinário nisso? Cabelos, muitos cabelos. Tímidos, envergonhados de estarem ali, mas estavam. Suplicando, além da blusa: me arranque, me arranque!

E, naquele momento, lembrei tantas outras mulheres que chegam a uma fase da vida assim: não se depilam, não se pintam, não se cuidam e, o pior, não se amam. Ao mesmo tempo pensei: Deus me livre de ficar assim.

Mulher, por mais que queiramos mostrar que somos fortes, corajosas, saímos para trabalhar e podemos até sustentar uma casa, somos mulheres. Acho que nada encanta mais um homem do que essa mistura de auto-suficiência e feminilidade. Algo com um "q" de fragilidade com a capacidade de se colocar dependente dele, precisando de proteção e fazendo-o sentir-se homem, para que ele te faça sentir mulher.

Ah mulher, deixe os pelos para eles, a mão rachada, a pele sem nada. Para nós, o batom, o hidratante, a delicadeza e o depilador.

6 de ago. de 2010

O que você quer levar da vida?


Vivemos cheios de crise. Pelo menos eu vivo e estou saindo de uma: tendinite. Mas, as crises profissionais, afetivas, financeiras tomam conta de mim, que esqueço dos meus planos primeiros. Aqueles que nos movem, motivam, nos fazem sonhar. Tudo tem seu horário e não me restou um para replanejar, reconstruir e, mais bonito, recomeçar.
Contudo, ontem passei um dia diferente: num velório. Isso não é lá um grande tema para escrever num blog, mas decidi vir aqui e partilhar os meus sentimentos e conclusões diante da dor da perda. Um jovem, com futuro promissor, quase auditor fiscal, ainda oficial da marinha - meu primo. Caiu do telhado e, tragicamente, morreu na hora. Uma jovem esposa, uma filha pequena e uma família desconsolada.
A morte não é algo que me assusta e, para mim, é tão natural e certo. Mas, o que me chamou atenção foi ver aquelas pessoas, familiares e amigos, muitos amigos, naquele último momento daquele jovem. A fatalidade me gritou o quanto a vida é breve e me sacudiu com o que podemos levar da vida.
Bom, alguns dizem que levamos nada. De fato, meu primo não levará sua posse, sua farda, sua patente.Não sei vocês, mas, eu acredito em algo além da terra, em céu. E, nesta minha crença, me fez pensar que se tivéssemos que amostrar algo, quando chegarmos lá, seria o quanto amamos e nos deixamos amar. Não acredito nos meus méritos para estar um dia neste lugar, no entanto, ontem pensei que a única coisa que poderei levar da vida é isso.
Se eu amar, amar tanto, a ponto de sair de mim e ir ao encontro do outro, nisto se basearão meus ideais de um mundo melhor, com tudo que já partilhei aqui neste espaço. Se eu olhar para as pessoas, todas elas, sem distinção, e enxergá-las como meus semelhantes e , de algum modo, mesmo que pequeno, mostrá-las meu amor, levarei isso da vida.
Se eu conseguir parar e me replanejar, com esses critérios que citei, me vendo como parte dessa sociedade que precisa disso, nada além: precisamos de pessoas dispostas a amar. É utopia? Pode ser, mas, acho os grandes feitos da humanidade nasceram de maneira utópica e, com ousadia, alguém foi lá e fez ser realidade.
Quando isso aqui acabar, quero chegar lá no infinito feliz porque realizei tudo que faz um ser humano ser humano: o amor. E espero que assim tenha chegado meu primo lá em cima, com as mãos cheias de amor que soube dar e receber.

14 de mai. de 2010

Fala, tu!


Outro dia me peguei pensando em como será daqui a alguns anos, quando precisar me comunicar com os jovens (sim, neura de quem estuda Letras). Pensei nas gírias e se conseguirei entendê-las, se a comunicação se dará de forma clara para mim.

Tentei lembrar da época de adolescência e não consegui perceber se falava gírias ou não, ou se as falava, mas não as consideraa como gírias, apenas parte comum do vocabulário que usava com meus amigos. Juro que não lembro.

Ao me deparar, no entanto, com um diálogo do ascensorista percebi que não preciso ir muito longe para ver que as gírias são mais do que uma coisa entre jovens. Elas fazem parte de grupos sociais. Simplesmente, o ascensorista atendeu o inteforne:

— Fala, tu! %$&@#*@% ¨%*¨#@$....

Eu só consegui entender o "fala, tu", pois ele começou a falar em código: gírias que eu não tenho a menor ideia do que significam. É, não sou eu que estou ficando velha, mas sim atenta aos dialetos sociais. Certo, colega?

11 de mai. de 2010

Fumaça? Não, não fumo.


Oito e meia da manhã, andando rápido para chegar ao trabalho, desvio dos fumantes. No meio do dia, saindo ou voltando do almoço, cubro o nariz ou abano a mão em frente ao rosto. À noite, voltando da faculdade, ao passar nas duas entradas de um shopping center, mais uma vez cubro o nariz e desvio da fumaça exalada dos cigarros.

Não, eu não fumo, e não sou obrigada a inalar a fumaça que os que adeptos do tabaco sopram para qualquer lado, sem se importar se há pessoas ou não em volta. A lei que proíbe o fumo em locais fechados ou cobertos foi uma primeira vitória para os não fumantes, que antes eram obrigados a inalar as toxinas exaladas no ambiente. De acordo com autoridades, a lei também tem o propósito de desistimular o vício, uma vez que a pessoa, nestes locais, deve se deslocar muitas vezes para fumar.

Só que em restaurantes e shoppings, por exemplo, é comum vermos fumantes nas portas de entrada e saída. Se eu quero sair de um estabelecimento deste, sou obrigada a segurar a respiração, caso não queira fumar passivamente. Outros fumantes, mal-educados, saem do metrô em escadas rolantes e já acendem o cigarro. Calma aí! E quem vem atrás, tem de inalar tudo?

Isso é uma questão de (falta de) educação. Do mesmo jeito que um fumante mais civilizado não quer ver pessoas urinando na rua, por causa do odor, um não fumante como eu não quer respirar fumaça de cigarro. Por isso, fumantes, quando forem acender seus cigarros, lembrem-se que o vício é de vocês. Olhem ao redor e saiam de perto de quem não fuma. Colaborem com a saúde dos não fumantes.

29 de abr. de 2010

Lá vai ela falar de transporte público


Há um ato extremamente interessante e que a sua falta ainda leva pessoas, até povos, à guerra. É o "ouvir". Como gosto de ouvir as pessoas e como percebo que elas se sentem importantes ao serem ouvidas. Diante de pessoas, sinto-me tomada por meu senso de jornalista e por uma pontinha de psicológa. Às vezes faço perguntas, simples, e elas se lançam; outras, apenas olho, sorrio, e talvez se sintam confortáveis para falar.


Poderia escrever um livro com tantas histórias de pessoas que, na rua, conversam comigo. Vejo nelas fontes de informação, de compreensão e formação da minha opinião sobre como minha indignação é real e concreta nas suas vidas.


Bom, fiz uma introdução nada parecida como as que ensino para os meus alunos, para falar sobre injustiça e sobre a minha pequenez quando ouço o que algumas pessoas passam.

Quem aqui está totalmente satisfeito com sua vida que lance a primeira pedra ou comente nesse blog, porque "pelamordedeus", não encontro. Esta semana, cansada do engarrafamento diário, do meu estresse de cada dia, amém, parada na roleta pra aguentar o cansaço, perguntei ao trocador se eles fariam a greve cujo boato estava rolando por aí (até porque precisava saber qual seria minha possível aventura para chegar no trabalho, caso houvesse a greve). "Quem faz greve é patrão", disse ele, aumentando o tom de voz e passando ao motorista as informações do trânsito que ouviu no rádio."Tem que ouvir isso, é meio de comunicação", ele me disse, me aconselhando. Mostrei-me muito interessada no que dizia e pronto, foi o suficiente.


Começamos a falar sobre as suas condições de trabalho; como motorista sofre no verão do Rio e ainda mais com o motor ao seu lado; como essa vida é cansativa. Aí veio minha indignação: vocês sabiam que eles devem fazer 6 viagens, não importa o engarrafamento que peguem, o tempo que levem para completar? O trocador me disse assim: "Filha, pegamos cinco e pouca da manhã e, às vezes largamos quase dez da noite". Apresentei pra ele minha idignação, pelo menos para sentir meu apoio, minha revolta e mostrá-lo que alguém na sociedade não concorda.

Falei do preço da passagem, o quanto ela aumenta e perguntei se seus salários aumentavam." Nem dez centavos", respondeu ele. O que é isso? Os ônibus são horríveis, o ar só funciona no inverno e, no verão, é uma sauna que custa três reais (R$2,90). O meu parece do interior, se eu perco o das 18h , só passa outro quase 19h. E, às vezes, precisamos abrir guarda-chuva dentro do ônibus, ou por causa do ar ou por causa da chuva. Além de motoristas tão estressados - agora sei o motivo- que parecem levar caixas dentro do ônibus, acelerando e freando. E o aumento da passagem não é repassado para os rodoviários e nem para melhoria dos ônibus? Vai pra quem então?


Acho melhor eu parar por aqui, porque andei relendo meus posts no blog e estou quase me candidatando à Marina Silva ou Heloísa Helena do transporte público do Rio de Janeiro. No mais é isso, vamos ver no que vai dar, ouvi falar que vai ter licitação para as empresas de ônibus, tomara que ganhe aquela que tenha um veículo voador, capaz de ultrapassar a Av. Brasil e chegar no centro da cidade em 40 min, pelo menos!