23 de dez. de 2010

Vale a pena?

Conversar com amigos é sempre bom. Ouvimos e percebemos perspectivas diferentes sobre assuntos que vivemos e às vezes não enxergamos. Em um desses problemas da vida que contava para uma amiga, ela chegou a seguinte conclusão com uma pergunta: "vale a pena?". Isso mexeu muito comigo e agora avalio a situação com outros olhos.

Não vale a pena eu me dedicar a quem não se importa com esta dedicação. Não vale a pena insistir em uma amizade de mão única. Não vale a pena querer resolver um problema se apenas eu quero conversar. Não vale a pena julgar e não ouvir, manter um relacionamento com quem não sabe ouvir críticas, com quem não entende que às vezes é preciso relevar e não se ater a pequenos problemas, porque a vida é curta e deve ser intensa. Não vale a pena deixar que uma fofoca, uma conversa com ruído estrague meus bons momentos.

Se eu tentei, insisti e não obtive resposta, esta amizade vale a pena, não vai me fazer bem, eu preciso a deixar de lado. "Amigos são poucos" e ao longo da vida a gente vai percebendo que esta frase popular faz todo o sentido. Queria entrar 2011 com tudo resolvido entre ambas as partes, mas infelizmente não será possível. E agora, que sei que não vale a pena, só posso sentir pena de uma pessoa deve estar sofrendo, mas que fez muita gente sofrer por alguém que também não se importa com os outros.

Em meio a um turbilhao de sentimentos, que foram da raiva à indignação, da fúria à tentativa de entendimento, posso dizer que estou resignada.

Vida que segue, e valendo a pena.

21 de nov. de 2010

A crise que não passou



Ufa, não sou só eu que me sinto assim. Não sei na verdade se isso é bom ou ruim, mas dá um certo alívio. E me fez refletir sobre o porquê de estarmos nos sentindo desta forma. Será o sentimento de uma geração? Será que é mera coincidência?

Somos todos jovens adultos, próximo aos 30, que não estamos satisfeitos. Temos boa formação, estudamos na área de humanas, supostamente temos o emocional mais desenvolvido, inter-relacionamos bem, alguns trabalham no que escolheram, outros não, mas, a pior semelhança é a insatisfação. Pensei que fosse só eu e mais um ou dois amigos, mas na última semana descobri que todos estamos em crise. Crise existencial.

É certo que de que todos têm problemas, alguns mais complicados, outros mais fáceis de solucionar, mas o fato é que a questão do existir paira sobre todos nós. O emprego não é o ideal, mas é o necessário para conseguir algum dinheiro e tentar melhorar. Submetemo-nos a ele. O salário é ridículo, mas as pessoas do trabalho parecem achar normal ganhar esta miséria que nos pagam. Raiva da acomodação. A vocação de uma vida profissional está sendo abalada por alunos desrespeitosos e pais alienados. Que adultos serão estes no futuro? Questionam se você luta pelo certo. Sim, queremos justiça. Você sabe que precisam do seu trabalho, mas o contrato é temporário e não renovável. Impotência. Estamos insatisfeitos, indignados e lutamos para reverter toda esta situação. Só que o tempo...

Ah, o tempo traz maturidade, traz a adaptação, a adequação, a paciência,  mas também cansa, destrói a esperança aos pouquinhos. Sabe o que é o tempo passar, você lutar, lutar muito para mudar, para que as coisas melhorarem e nada acontecer? Isso vai tirando a força, vai deprimindo.

Às vezes sinto-me em um barco sem remos ou vela, seguindo um fluxo que não sei onde vai dar. Não sou só eu que estou assim. Estamos todos em crise. Quem pode nos ajudar? Como mudar isso?

5 de out. de 2010

Gente chata, sai pra lá!



Com a vida corrida, o rádio é uma ótima companhia. Dá para ouvir em qualquer lugar, dar uma escapada do mundo com os fones no ouvido e ainda se divertir. Uso-o para relaxar com as músicas, me distrair dentro de ônibus e ainda fico rindo sozinha escutando a Hora do Blush, programa diário da Sulamérica Paradiso.

A temática do programa de ontem me inspirou neste post. Em questão estava: gente chata. Todo mundo conhece alguém que seja chato. Todo mundo já foi chato com alguém um dia. Mas há pessoas que se superam. E muito. Lembrei imediatamente das pessoas que interrompem o diálogo, preocupadas com o próprio monólogo. Sabe, quando você está falando de um assunto e a outra pessoa logo interrompe falando de algo que geralmente não tem na-da a ver com o assunto inicial? Ou quando o chatonildo resolve puxar toda a atenção para ele e começa a discursar (desta vez dentro do tema), mas querendo se promover, dizendo "isso já aconteceu comigo, mas foi muito pior/melhor", "eu já vivi algo assim, mas foi (adjetivos e mais adjetivos)" e frases do gênero? Ô gente chata.

Outro tipo chato é aquele que fala com as mãos. Melhor dizendo, com os dedinhos, "cutucando" o interlocutor. Porque com este tipo de pessoa não basta a conversa ser olho no olho, tem de ser dedo no ombro, no braço, juntamente com o famoso "mas, hein??". Ahhh, in-su-por-tá-vel.

Há outros tipos que logo se enquadram no adjetivo chato: são aqueles que teimam em imitar (sem sucesso) um personagem de tevê ou um apresentador, ou fazer piada sem graça. Acho que todo mundo tem um tio assim, que imita o Silvio Santos ou faz aquele tipo de piada: "É pa-vê ou pa-comê?" (esta piadinha inclusive foi lembrada no programa de ontem). Todo mundo também tem aquela tia chata, que sempre pergunta a mesma coisa: "já está namorando?", "quer ser o que quando crescer?", ou então solta aquelas frases: "nossa, como cresceu!", "já está no ginásio, quem diria..."[eu sei que ginásio é antigo, mas é da minha época, :-)].

É, os chatos estão em toda parte. Eu poderia falar sobre vários outros tipos de chatos, mas aí corro o risco de ser a chata que reclama dos chatos. Porque reclamar da mesma coisa também é chato.

29 de set. de 2010

Eleições sem candidatos

Pois é, mais uma eleição se aproxima e desta vez, a disputa é complicada. Para os eleitores. Principalmente na decisão quanto aos cargos do legislativo. Entre os que concorrem ao Congresso Nacional, atores, jogadores de futebol, cantores, pseudocelebridades, palhaços. Assim é difícil escolher.


Li uma explicação de um historiador na CartaCapital  sobre a origem da palavra "candidato". Vem do latim candidatus e tem origem nas vestes brancas que os antigos usavam, simbolizando a pureza (fichas-limpa da época). Para as eleições de 2010, alguns "candidatos" torceram contra a validade da Lei do Ficha-limpa, por motivos mais do que óbvios.

Sempre achei que alguns cargos públicos (os de mandato) não deveriam ser retribuídos, com remunerações ou subsídios, mas sim serem uma opção de quem realmente quer ajudar a sociedade política e economicamente. Vejamos: um vereador pode ter um emprego, desde que seja compatível com os horários que o cargo na Câmara dos Vereadores exija a presença (votações, reuniões com comissões, entre outros). Mas, e um deputado federal? Trabalha durante três dias na semana (de terça a quinta, quando não há feriados) e ainda recebe uma polpuda remuneração pelo cargo. Se os mandatos não fossem remunerados, ou recebessem uma quantia simbólica em troca do serviço prestado à Nação, duvido haver esta quantidade absurda e esta "qualidade" absurda de candidatos.

Com estas opções, fica difícil exercer a democracia. Nunca antes na história deste país foi tão difícil votar!


  

   



31 de ago. de 2010

Ai meu Deus, o que é isso?


Venho aqui falar sobre um assunto muito importante; venho falar com você, mulher. Você que passou dos trinta e passou a achar que na vida há outras prioridades que não inclui você mesma.

Dia desses estava no ônibus, indo para Jacarepaguá - que é longe pra caramba - e reparei, é...como possso dizer isso? Reparei o suvaco de uma moça. Pronto, falei! E o que tinha de extraordinário nisso? Cabelos, muitos cabelos. Tímidos, envergonhados de estarem ali, mas estavam. Suplicando, além da blusa: me arranque, me arranque!

E, naquele momento, lembrei tantas outras mulheres que chegam a uma fase da vida assim: não se depilam, não se pintam, não se cuidam e, o pior, não se amam. Ao mesmo tempo pensei: Deus me livre de ficar assim.

Mulher, por mais que queiramos mostrar que somos fortes, corajosas, saímos para trabalhar e podemos até sustentar uma casa, somos mulheres. Acho que nada encanta mais um homem do que essa mistura de auto-suficiência e feminilidade. Algo com um "q" de fragilidade com a capacidade de se colocar dependente dele, precisando de proteção e fazendo-o sentir-se homem, para que ele te faça sentir mulher.

Ah mulher, deixe os pelos para eles, a mão rachada, a pele sem nada. Para nós, o batom, o hidratante, a delicadeza e o depilador.

6 de ago. de 2010

O que você quer levar da vida?


Vivemos cheios de crise. Pelo menos eu vivo e estou saindo de uma: tendinite. Mas, as crises profissionais, afetivas, financeiras tomam conta de mim, que esqueço dos meus planos primeiros. Aqueles que nos movem, motivam, nos fazem sonhar. Tudo tem seu horário e não me restou um para replanejar, reconstruir e, mais bonito, recomeçar.
Contudo, ontem passei um dia diferente: num velório. Isso não é lá um grande tema para escrever num blog, mas decidi vir aqui e partilhar os meus sentimentos e conclusões diante da dor da perda. Um jovem, com futuro promissor, quase auditor fiscal, ainda oficial da marinha - meu primo. Caiu do telhado e, tragicamente, morreu na hora. Uma jovem esposa, uma filha pequena e uma família desconsolada.
A morte não é algo que me assusta e, para mim, é tão natural e certo. Mas, o que me chamou atenção foi ver aquelas pessoas, familiares e amigos, muitos amigos, naquele último momento daquele jovem. A fatalidade me gritou o quanto a vida é breve e me sacudiu com o que podemos levar da vida.
Bom, alguns dizem que levamos nada. De fato, meu primo não levará sua posse, sua farda, sua patente.Não sei vocês, mas, eu acredito em algo além da terra, em céu. E, nesta minha crença, me fez pensar que se tivéssemos que amostrar algo, quando chegarmos lá, seria o quanto amamos e nos deixamos amar. Não acredito nos meus méritos para estar um dia neste lugar, no entanto, ontem pensei que a única coisa que poderei levar da vida é isso.
Se eu amar, amar tanto, a ponto de sair de mim e ir ao encontro do outro, nisto se basearão meus ideais de um mundo melhor, com tudo que já partilhei aqui neste espaço. Se eu olhar para as pessoas, todas elas, sem distinção, e enxergá-las como meus semelhantes e , de algum modo, mesmo que pequeno, mostrá-las meu amor, levarei isso da vida.
Se eu conseguir parar e me replanejar, com esses critérios que citei, me vendo como parte dessa sociedade que precisa disso, nada além: precisamos de pessoas dispostas a amar. É utopia? Pode ser, mas, acho os grandes feitos da humanidade nasceram de maneira utópica e, com ousadia, alguém foi lá e fez ser realidade.
Quando isso aqui acabar, quero chegar lá no infinito feliz porque realizei tudo que faz um ser humano ser humano: o amor. E espero que assim tenha chegado meu primo lá em cima, com as mãos cheias de amor que soube dar e receber.

14 de mai. de 2010

Fala, tu!


Outro dia me peguei pensando em como será daqui a alguns anos, quando precisar me comunicar com os jovens (sim, neura de quem estuda Letras). Pensei nas gírias e se conseguirei entendê-las, se a comunicação se dará de forma clara para mim.

Tentei lembrar da época de adolescência e não consegui perceber se falava gírias ou não, ou se as falava, mas não as consideraa como gírias, apenas parte comum do vocabulário que usava com meus amigos. Juro que não lembro.

Ao me deparar, no entanto, com um diálogo do ascensorista percebi que não preciso ir muito longe para ver que as gírias são mais do que uma coisa entre jovens. Elas fazem parte de grupos sociais. Simplesmente, o ascensorista atendeu o inteforne:

— Fala, tu! %$&@#*@% ¨%*¨#@$....

Eu só consegui entender o "fala, tu", pois ele começou a falar em código: gírias que eu não tenho a menor ideia do que significam. É, não sou eu que estou ficando velha, mas sim atenta aos dialetos sociais. Certo, colega?