7 de abr. de 2009

Crise? Que crise...

Venho por meio deste post, cumprir a difícil tarefa de falar sobre a minha profissão. Primeiramente, parabéns aos meus caros colegas de ofício, que trilham o caminho do jornalismo; parabéns aos meu caros colegas que, apesar de formados, com registro no Ministério do Trabalho, não conseguiram efetivamente exercer essa profissão (vou precisar dar uma parada agora, estou indo as lágrimas...).

A verdade é o seguinte: nós jornalistas estamos assistindo uma dilaceração do nosso ofício. Hoje, gostosonas ocuparam o nosso lugar , apresentam programas, fazem matérias e, com a discussão da não necessidade de diploma de jornalismo, poderão até se intitular "jornalistas". Tudo bem, não há impedimento nenhum em ser gostosa e ser jornalista também, mas, mesmo que a prática seja importante, aprendemos coisas na faculdade que fazem o diferencial na maneira como conduziremos as entrevistas e preparamos as matérias. Vide o papo de cumadre que rola em tantas entrevistas importantes (até hoje não descem as entrevistas que a antiga moça do tempo realiza na "sua" revista semanal).

Isso é um ponto. O outro ponto a ser lembrado é que as redações estão cada vez menores e os poucos que conseguem salvar o emprego estão sendo cada vez mais explorados. Como, na era da informação, somos tratados com tamanho desrespeito? (volto as lágrimas...estou apelando como nos programas "jornalísticos" do horário da tarde, escracha!!!)

Justamente por haver tantas novas formas de informação, novos canais, a lógica seria a contratação de mais pessoas. Mas não, o capitalismo rege os conglomerados jornalísticos (jornal impresso,
on-line, tevê, rádio, blogs, twitter, notícias via celular) que levam em consideração o lucro da empresa. A informação, como é transmitida, apurada, redigida, é só um detalhe.

Atualmente, nos sites de jornais, há uma seção especial para os leitores-repórteres. Sim, se a redação não dá conta, vamos deixar os leitores participarem (ajudarem, bem da verdade, a fazer a notícia). A partir daí podem até surgir novas reportagens, dependendo do assunto, mas, se não "render caldo", o site foi alimentado, novas informações foram publicadas, novos acessos foram gerados e,
voilá, lucro garantido!

Enquanto isso nossos governantes garantem que o Brasil tem um aumento considerável de empregos/mês e que o pior da crise no Brasil já passou. Crise? Que crise...


Juliana e Priscila

Por gentileza, obrigada!



Cada um no seu quadrado, como fala a famosa música. Esse deveria ser o curso normal da história, no que diz respeito à educação. Os pais ficam com a responsabilidade da educação que vem de casa, aquela primária, sabem? Na minha época, e olha que nem foi há tanto tempo, quando eu ganhava alguma coisa,mamãe dizia: "Como se fala minha filha?"; era tão lógico o respeito aos meus pais e consequentemente aos mais velhos que, quando eu sacudia as pernas de pirraça, mamãe só olhava; quando eu fazia algo errado, papai só olhava. Não fiquei traumatizada, não quis cortar os pulsos e nem me enfiei nas drogas. Com tudo isso, restava, pra escola, a educação formal, regular, o "beabá" mesmo.

Mas o que temos hoje? Uma psicologia e pedagogia sempre a favor das crianças, mesmo quando essas estão erradas. Nada se pode falar pro filho e nada se pode fazer com o aluno. O ensino vai mal, eu sei, há vários mecanismos ruins que não estão ligados à educação que o indivíduo traz de casa, é certo. Porém, qual o profissional que não se corrompe e se entrega ao desânimo diante do cenário que se instaurou nas escolas?

Falo das públicas e das prarticulares também. Vários colegas que acreditavam na educação como a base de tudo, se entregaram, por amor, ao magistério, e, com menos de um mês de trabalho, dando aula pra essa geração aprendiz de terrorista, já entraram em desespero.

Não tem sido raro ouvir dos professores que crianças da quinta série se agridem fisicamente, por causa de um lápis. E é um tal de "vai tomar naquele lugar" para lá, "vai se f..." para cá, além de chutes e pontapés nos professores. O melhor, pasmem, nada pode ser feito da parte dos nossos mestres! Eles não podem colocar pra fora de sala, não podem suspender, não podem deixar de castigo, além da hora, não podem nenhum mecanismo de punição, NENHUM!!!

Há hoje um amparo ao desrespeito, à falta de educação, à violência e um desamparo aos nossos professores, a fim de que a mínima ordem seja reestabelecida e as salas de aulas voltem a ser um local de aprendizado e troca.

Lembrei de uma coisa que uma colega de trabalho me contou e até me deu vontade de rir. A troca entre professores e alunos tem sido de outro jeito. Essa colega disse que xingou esses dias alguém do seu convívio e, quando se deu conta, disse: "Estou me tornando um monstro!". Ou seja, o meio está influenciando tanto a pobre coitada que ela está adquirindo os hábitos dos seu educados alunos.

Nem entrarei no mérito deles chegarem na quinta série, alguns com 17 anos, e não saberem ler ainda...Prefiro nem falar disso, porque me dá um embrulho no estômago tal situação.

Como mamãe me ensinou, dá licença, por favor, por hoje é só e muito obrigada pela atenção até o final do texto. Ah, volte sempre!

24 de mar. de 2009

Sim, vivemos em uma guerra semivelada

Todos os jornais noticiaram: "Pânico na zona sul do Rio". E eu estava lá, em uma das ruas do Humaitá onde ocorreram detenções de bandidos e onde, hoje, foi localizada uma granada, que por sorte não deflagrou! Fiquei imaginando se ela explode. Qual seria o estrago, visto que passavam crianças acompanhadas de adultos, que as traziam da escola. Qual o poder de destruição de um artefato desses?

Caramba, ontem ficou
punk a situação na zona sul. Pela manhã, muitos tiros que pareciam estar do nosso lado (e realmente estavam), porque o barulho era muito alto. Gritaria na rua e, quando vejo, bandidos armados estavam saindo do matagal, descendo a ladeira! No caminho abordaram uma van, mas não fiquei à janela pra ver o que ocorreria depois.


Daqui a pouco, vários carros de polícia subiram e ficaram na frente do prédio, os policiais entraram no matagal lá perto e começaram a vistoriar prédios vizinhos. Muita tensão!


Vi o momento em que equipes de reportagem chegavam e o bandido foi preso no jardim de um prédio. Quando deviam haver uns 40 ou 50 homens na rua, fardados e à paisana, aproveitei a situação de "calma" e saí de lá.

Realmente, está muito perigoso viver aqui, apesar de todas as maravilhas que a cidade oferece, nessas horas a gente percebe que vive em uma guerra urbana velada. Ninguém assume, mas é isso o que acontece, uma guerra com períodos de trégua.

Jornalistas hoje questionavam a autoridades policiais por que não houve prevenção, para impedir a invasão da Ladeira dos Tabajaras e evitar esse confronto. Tudo bem, o serviço de inteligência pode ter falhado, mas porque não se pergunta por que esses traficantes fazem tanta questão de continuar pela zona sul?? Será porque a resposta poderia desagradar à classe média-alta desses bairros, que paga valores exorbitantes de IPTU e tem carros de luxo e muitas vezes parece esquecer que dinheiro fácil na mão dos filhos pode ser perigoso? A questão é que a zona sul concentra a maior clientela de drogas que esses traficantes vendem.

É complicado resolver essa situação, mas enquanto houver usuário de drogas, o tráfico continuará atuando nas comunidades carentes e nós vivendo períodos de confrontos e tréguas. O que se espera é que essa guerra tenha um fim. E de preferência, feliz.

14 de mar. de 2009

(Des)educando


Fiquei impressionada ao ver uma cena ontem, de dentro do ônibus: uma mãe atravessava a rua com seu filho, voltando da escola e, a mãe fala alguma coisa pra ele e infica uma lixeira. O menino, então, joga algo no lixo. Pensei, "Que bom, será um cidadão educado, que não vai jogar coisas na rua".

Mas, logo depois, o menino se aproxima de uma árvore, e começa a fazer xixi. A mãe aguarda a criança para continuar o trajeto pra casa. E isso tudo a menos de 5 metros da entrada de um restaurante!! Fiquei abismada! Por que essa mãe não levou o filho para usar o banheiro do restaurante? O que custava a ela?

Então, conclui o pensamento, "é, educando e deseducando ao mesmo tempo... Será que ela gostaria de o muro da casa ou do prédio dela estivesse fedendo a urina, quando ela saísse pela manhã? Será que ela gostaria que a mãe dela fosse obrigar a desviar porque há homens fazem xixi no meio do caminho da senhorinha?"

Alguém pode pensar "mas é só uma criança...", só que é desde pequenos que eles devem aprender a ser educados, a ter bons modos e a ser cidadãos.


Além do mais, qual é o problema dos homens? Se uma mulher (com um mínimo de educação) está com muito vontade de ir ao banheiro, ela se segura até encontrar um. Os homens, não, encostam em qualquer muro ou poste e urinam ali mesmo. Por que não esperam até encontrar um banheiro? "Ah, mas homem não consegue se segurar", poderiam responder. Aí eu questiono novamente: se fosse por esse motivo, eles urinariam em qualquer lugar e eu nunca vi nenhum homem fazendo xixi em ônibus preso em engarrafamento, em fila de espera em banco, ou qualquer outro local em que fosse preciso esperar.
O que lhes falta é educação mesmo. Só espero que aquele menino não se transforme em mais um mijão pela cidade.

5 de mar. de 2009

27 minutos

É... foram 27 minutos de Ronaldo Nazário no jogo de ontem do Coringa contra o Itum... qualquer coisa... Mas quem se importou com o resultado? O único número que a nação do "clube-agremiação" é o 27. Que foi 2 x 0 isto é extremamente irrelevante...

Ontem, mesmo querendo jogar todo o olho gordo pro jogo do Flamengo, foi irresistível não querer ver o grande "Felômeno" chutar a bola em um jogo válido depois de tanto tempo. Claro, ver mesmo eu não vi porque dormi... mas pude ver a urubuzada dos meus colegas de comunicação (sim, los jornalistas) em cima do pobre coitado. O ex-integrante do Fat Family estava quase que desaparecendo no meio de tantos repórteres...

Mas a dúvida que não quer calar é a seguinte: Ronaldo vai jogar no clááááássico contra o Parmeiras? Ele vai fazer muitos gols? E a maior delas: será que ele vai pra noitada na sexta?

Quem viver, verá....

4 de mar. de 2009

"Quem assina o xeque?"

Vou te contar-te ném, eu queria entender o que acontece com as pessoa do nosso país. Tem gente aí rindo da Lady Kate, mas a situação do nosso português está crítica. E não é por causa do novo acordo ortográfico!

Nada melhor do que um bate papo no msn pra gente ver como o povo está escrevendo mal. Engraçado como fica mais gritante e somos mais preconceituosos quando ouvimos as pessoas errarem a pronúncia das palavras, as concordâncias verbais e nominais e as conjugações de verbo. Porém, o que tem "gritado", ou melhor, "saltado" aos meus olhos é quando recebo um e-mail ou estou num bate papo com alguém graduado e eis que surge, no meio do texto, um "agente vai sair hoje?" ou " estou anciosa, mais não liguei pra ele, por que não posso ficar com baixa estima, preciso ter altoestima...".

Não sou a mestra em português, estou longe disso, longe mesmo. Vivo perguntando se escrevi certo e, inclusive este texto, sempre é relido por nossa jornalista formada também em Letras. Mas, sem a letra i, a questão que levanto é a seguinte: por que estamos escrevendo tão mal, mesmo depois de cursar uma faculdade?

Se falo dos meus alunos, tenho a resposta: não leem, abreviam tudo quando escrevem na internet e os ensinos fundamental e médio do Brasil estão ruins. Contudo, se falo de pessoas que já cursaram uma faculdade e, suponho eu que, neste percurso, tenham lido alguns textos, por que, ainda assim, estamos escrevendo tão mal? (mal com L = contrário de bem e mau com U = contrário de bom, a saber!)

Fico até com receio, ao escrever esse texto, de parecer preconceituosa (ah está na moda falar que tudo é preconceito), no entanto, de verdade, é uma preocupação com a formação acadêmica do país. Como posso me conformar com a ideia de que a elite pensante do Brasil (porque poucos têm ensino superior completo) está com uma produação de texto desse nível?

Tenho pensado nisso há um tempo e a mesma questão permanece: por que estamos escrevendo tão mal?

Será que mesmo depois de se cursar uma faculdade a gente continua paganu o preço das deficiências escolares que tivemos? Como diz um amigo meu: deve ser problema nos primeiros segmentos!

Mas fala pra ele quem assina o xeque, porque eu também tô paganu...

1 de jan. de 2009

Novo ano

Mais um ano se inicia, com as esperanças renovadas, muitas resoluções tomadas e vontade de mudar.

Em muitos municípios brasileiros
novos prefeitos assumem seus cargos, com promessas a serem cumpridas e muito trabalho pela frente. No Rio, a era Cesar termina e tem início ao mandato de Eduardo Paes. Um político verborrágico, que, quando fala, dá a impressão de que as coisas vão melhorar, mudar mesmo. A questão é: começar trocando a "cor" da cidade de laranja para azul é uma prioridade?? Os gastos para trocas de uniformes, símbolos da prefeitura espalhados pela cidade e com comunicação são necessários neste momento.

Precisamos de alguém que veja os problemas da cidade e defina as prioridades da melhor forma possível. Entramos no verão, as chuvas e o calor estão aí e podemos ter outra epidemia de dengue. Todos devemos ter cuidados, é claro, mas o governo municipal deve também fazer a parte dele.

Assim como repavimentar algumas ruas da cidade, que são somente buracos. Não há veículo que resista a tanto impacto.

Bom, são tantos problemas que é melhor não começar a listá-los, apesar das listas serem famosas em fim de ano. Temos é que torcer e acreditar que a situação vai mudar. Pra melhor.